sábado, 28 de dezembro de 2013

Ato 1, Cena final

Eu precisava de algum lugar
Pra lavar meu coração
Não ousaria tentar em algum lar
Pois as águas mais limpas
Se tornariam manchadas

Esperei tanto nesse lugar
Que as folhas que eu lia
Sumiram da minha visão
Enquanto meus ossos se tocavam
Já em corrosão

Guiei minha vida ao lugar
Onde ninguém me encontrava
A não ser alguém como você
Que se eu sumisse
Em mim sempre estava

Fuji pra não pagar
Os atos que deixei
Pelas cenas que pude atuar
Mas os versos que falei
Alguém irá lembrar

Apaguei a história pra não apagar
Os que sempre amei
Puderam ir ao fundo de lá
Daquele vazio que deixei
Que ficou após me limpar.

O que restou pra me apegar
Foi um coração que sangrei
Ao qual não pude mais olhar.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Dia

A cada palavra eu sofria
E a cada linha que escrevia
Minha vontade de você sumia
E meu coração se perdia

Mais uma vez eu suspirei
Dentre as mil outras que soprei
Dente-de-leão não é dente de rei
Foi só outra flor que te deixei

Abri a janela esperando o sol entrar
Uma espécie de esperança quis raiar
Olhei pra aquele nosso céu a chorar
Será que eu podia meus olhos esfregar?

Será que minha cama sempre foi vazia?
Como será que a minha vida ia?
Tanta coisa pra mudar havia
Por onde tudo começaria?

Porque no banho de chuva que tomei
Minha tristeza com os pingos misturei
E assim ninguém viu o que chorei
O que escorria no rosto não mostrei

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Ícaro

Vou voar
Até quando me queimar
Vou sorrir
Enquanto persistir

As asas que
Me foram feitas
Pra ir além
Me mostraram seu desdém

Sei que não
Posso ter aquilo
Que me faz tão bem
Sem pagar o que convém

Sorte ou revés
O que tens ao invés
De um belo voô
Sem nada pra ver

É mentira
Sua crença em mim
E verdade
Seu desapego enfim

Se eu cair
Do mais alto andar
O que fará
Além de olhar?

E se eu voltar
A voar
No meio do caminho
Eu irei sorrir sozinho

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Mudar

O sabor do teu cheiro
A forma da tua presença
Crônicas do sentimento
Contadas ao vento

Mais do que não tenho
Respostas pros sábios
Dores aos mortos
Distância aos opostos

Servo do meu coração
Seu pulsar em quadro-a-quadro
Tua voz foi buscar
Passagens para meu mundo mudar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

1 - 1

Despretensioso tão pretenso
Atrás de valores que não valem nada
Somando tudo que só te subtrai
Confiando em tudo sendo traído por todos

Mílicias de uma trilha sem comandante
A postos e prontos pra nada nem ninguém
Vivendo como um homem morto
Recomeçando o que nunca terminou

Respira esse ar cheio de vácuo
Acordos feito pra desacordar
Não gosto de gostar
Desse seu jeito tão desajeitado

É tão fácil achar essas dificuldades
Essa confusão tão certa
Me apaga pra poder me acordar
E me promete pra poder quebrar.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Post Mortem

O que eu poderia fazer
Pra tocar tão fundo na tua alma
Até você nunca se esquecer
Que juntos éramos calma...
União que não ia se perder.

Nos perdemos tanto em tentar
Que quando fomos viver
Tu não era alguém a se esperar
E eu não fui alguém a te ter.

Lado a lado não existia desordem
E a culpa minha estava na post mortem
A angústia que nunca teve fim
No final acabou em mim.

Cada pulsação que balançava tudo
Foram embora sem nem dizer adeus
Com nossas vedades num sussurro mudo
E seus sentimentos que sempre foram meus
Desapareceram comigo no mundo.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Caderninho

Um caderninho com rabiscos
Tão cheio de você e eu
Escritas que queria correr riscos
No meu futuro ou seu

Eu não ligaria agora
Mas o agora é só o que eu tenho
Algo grande pode estar lá fora
Como nesse caderninho esse desenho

De nós dois separados
Mas de todo jeito juntos
Nesses pedaços amassados
De desejos e frases sem pontos

Eu sei que preciso abandonar
Mas nas páginas desse caderninho
Nunca tive a vez de tentar
Então as páginas se viram com carinho

Hoje escrevo você com mais rapidez
Porque antes eu fui com muito alegria
Deixei me levar sem nem talvez
Saber o que você queria

domingo, 11 de agosto de 2013

Saciar

Eu preciso de um jeito
Pra saciar meu coração
Colocar as peças em meu peito
Eu não vejo outra opção

Palavras na garganta travada
Não sei dizer se foi esperança
Que foi tão maltratada
Ou se foi a mudança
Que deixou a alma tão marcada

Não sei se dizer tantas besteiras
Alivia o que eu sinto
Mas quem sabe além das fronteiras
Eu descubra o infinito

Eu sobrevivo de um jeito
Pra aliviar meu coração
Colocando tudo o que tenho feito
Além da minha imaginação

sábado, 10 de agosto de 2013

Navalhas do tormento

Cinzas pra se reunir ao vento
Um passo pra me perder nesse momento
Tudo o que passo é um tormento
E por nós, não disse que não tento

Ninguém saberia dizer se já estamos
Porém com tudo em que erramos
A gente segue sem lembrar porque brigamos
E por esse caminho continuar nós vamos

Minha cabeça grita com tanta dor
Enquanto meu coração lamenta por amor
Vou tentando sobreviver sem rancor
Vivendo sem nada se preciso for

Dançando sob a luz da lua vou além
Não estive esperando só por alguém
Antes de tudo se você fosse não fosse ninguém
E se seus sorrisos não me fizessem bem

Se foi tudo, ou em partes falha
Eu nunca saberei existindo essa muralha
Nossos corações não se aquecem em fornalha
Somos nós mesmos a própria navalha

domingo, 19 de maio de 2013

Refém da história


Posto que ainda vivo
Cheio de dores e tantos horrores
Alguma coisa sinto que devo
E não só a meus amores

Sorte a luz da noite
Que pode a luz nos dar e nos iluminar
Partilhando conosco num instante
Formas de nos diferenciar

Lembrando de nós juntos
Sentados sob aquela luz que nos seduz
Olhando para o céu, respiramos
E a só isso a história reduz

Parte de mim ainda chora
Mas eu sei que vou além do que me detém
Ainda que haja pro final demora
Eu sei que da história não sou refém.

sábado, 18 de maio de 2013

Mentiras entre linhas


Algumas mentiras ditas
Somente algumas entre as linhas
Que não pude dizer
Com todo meu querer
Falhas tão erradas
Que se pudesse apagá-las
Sumiriam na existência
Dando a minha vivência
Um destino de ser
Ou uma razão pra viver
Visão tão rasa dessa superfície
Que mesmo que eu analise
Não seria nem um pouco capaz
De dizer a um bom rapaz
O que se passa nessa lógica
Que tendo essa ótica
Digo a mim mesmo pra não mais pensar
E uma vez mais descartar
Talvez não seja o momento
Mas eu fico cada vez mais sedento
Pra cada passa que vejo
Penso em mais um beijo
Mas assim que abro os olhos
Morro em todos segundos
O que pode me salvar agora
Força que não vem de fora
Fecho assim mais um texto
Que sofro com êxito.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ideia serena


Estive tão perdido aqui dentro
Entre quatro paredes
Num quarto do meu pensamento
Não há um caminho que não dê sede
Uma força que não sente
Te move a mim
Além do presente

Flores de lírio eu lembro
Estrelas brancas do dia
Sobre o teto do apartamento
Pelo leve soar daquela sinfonia
O mal que não via
Sumiu de mim
Como fantasia

Mais um roncar do estômago
Esperando um momento
Que me livre do âmago
De tudo que me trouxe o tormento
Um pouco do sentimento
Surgiu em mim
Naquele ato.

O desfecho de mais uma cena
De palmas dentre a zona
Que por enquanto drena
De pessoas que servem a quem reina
Ao senhor que não tem pena
Segue-se ao fim
Ideia serena.

domingo, 12 de maio de 2013

Sem nem mesmo falar


Carro desgovernado
A toda, numa contra-mão
Trem descontrolado
Saindo do trilho sem direção

Pulso errôneo
Palpite cutâneo
Não escuta voz
Que salva a nós

Tão ofegante
Que parece sofrer
Terror distante
Ainda tenta viver

Fazendo errado
Firmando um fardo
De estar além
Sem nenhum alguém

Sobre o que pode ser
Ninguém tem certeza
Mentiras a se dizer
Sem verdades com clareza

Instantes finais
Créditos especiais
A quem pôde amar
Sem nem mesmo falar.

sábado, 11 de maio de 2013

Número de sorte


Deleite
Do leite
E deite

Inocente
Só sente
Se mente

Enfeite
Me aceite
Não peite

Escrito
No grito
Já aflito

Cansado
Foi picado
E inchado

Descontrair
No polir
Do sair.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Instintos

Coloca-me em uma encruzilhada
Não saberei que caminho tomar
Me enganei ao dizer nunca mais
Pois agora já é tarde
Às vezes "adeus" não trás soluções
Somos a história que vivemos,
E não o que contamos.
Como um diário de anotações frias
A alma foi jurada e corrompida
Este selo de ferro em brasa
Ainda queima meu espírito.
Mas não hesitarei em retirar
Pedra a pedra do meu caminho
Ele sabe o quão único cada um é,
Seguirei os instintos de uma fera
Assim como meus irmãos.
Irei ignorar todos os seres peçonhentos,
E se alguém cuspir em mim
Com certeza se arrependerá mais tarde
Em meu mundo negro
Devo seguir meus instintos, meus ideais.
Quando abrir os olhos para o mundo de luz
É quando encontrar o que jurei não procurar
Mas sim ao que meus instintos me guiaram.

Abismo


Caia em si mesmo
Não pense que tudo está desabando
Pois esse é só o começo
"O mundo é duro e cruel"
Deve pensar...
"Meu mundo são as pessoas...
A pessoa".
O alquimista deve procurar a razão
O artista o sentimento
E eu esqueci o que procurar.
Não me entenda mal...
Só sei que ambos florecem
Pouco a pouco quando olho pra imensidão
Uma simples vela poderia
Iluminar toda escuridão de uma noite?
Se as estrelas mentem
A Lua seria certamente falsa...
Sua pobre luz...
Quem já não se enganou com ela?
Essa luz já mandou vários para o abismo
E só os que tem coragem voltam de lá
Para ver a Lua e as estrelas...
Até o dia amanhecer
Assim podendo enxergar tudo a volta
Mas a noite sempre vem
E junto com ela
Nossa cegueira.

Fontes de energia


Há fogo sem fumaça a se ver
Surge como se pudesse me vencer
E me vence
Energia estranha correndo pelo corpo
Cambalhotas de todas minhas células
Você não sente?
Sorrindo por besteiras maiores que outras
Felicidade dentre outras tão simples
É beleza boba
Nós gritamos e sussurramos esperando
Qual a próxima reação do convidado
Eu nunca sei
Se minha voz não chegar a você
Você só precisa vir do meu lado
E te abraço
Caso isso não aconteça, sabemos pois é...
Tento mais uma vez por nós como sempre
E eu faço.

domingo, 14 de abril de 2013

Súplicas


Oh doce perfume
Preenche minha alma
Corrói as ilusões
Me tire o costume

Ah frágil dança
Mude esses passos
Faça me acelerar
Torne-me criança

Oh querida conhecida
Não me deixe só
Valha-me os segundos
Cresça minha vida

Ah linda noite
Ilumine de forma leve
Os suaves pensamentos
Desse teimoso errante.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Perguntas


Seria você o motivo de tantas coisas
Das coisas que mais gosto
A coisa que mais odeio
Dentre todas essas coisas?

E uma alguma história pra você contar
Contando mentiras além
Do que contou no passado
Há alguma pra se contar?

Com frieza para meu peito deve olhar
Garras em seus olhos
Olhando tão fixamente
Você me vê em algum olhar?

Ao alto da montanha nós vamos fugir
Fugindo de nós mesmos
Que a fuga nos permita pensar
Por que temos de fugir?

Veja bem meu caro amigo a triste penar
Essas penas são de anjos
Penosamente já se foram
Será que estivemos a penar?

Não vivia a principio a todos agradar
Se me agrada de cogitar
Que conseguirei um agrado
Só de te alguma forma agradar?

sábado, 6 de abril de 2013

Aquelas flores


Eu perdi algumas flores pelo caminho
Não estava levando elas comigo
Elas estavam do nosso lado
Só deixamos de dar-lhe a atenção
Lembro de uma vez as folhas no chão
Você sorria sem motivos brincando
Uma vida simples passava diante os olhos
Aquela forma de expressão tão bonita
Gestos que não podiam ser escritos
E ainda assim não senti o cheiro daquelas flores
Aquele amarelo vibrante entre cores ofuscadas
Por toda a sua cor boba sem sentido
Talvez fizesse parte da minha alma
Acho que você sentia tudo a sua volta
Mas não voltamos nosso foco para isso
Perdemos tempo demais sendo egoístas
Amando cada segundo de todo aquele momento
Sem se dar a conta de um mundo todo
Que não dava conta de nós quando queriámos
Assim vou vivendo todo dia agora
Olhando as flores que não vimos
Ouvindo tudo o que o vento tem a dizer
Com o cheiro daquelas flores.

domingo, 17 de março de 2013

Coração errante


Sei das escolhas que faço
Que meu coração me guia
Pra todos os lados
Assim como a mente desvia
Em todos os passos

Não tenho feito as melhores
Mas ainda lembro de ser minha
De todas as linhas
Para nenhuma ocasião
Talvez eu erre de coração

Mas e com quantos erros
Vou aprender a mesma questão
E com quantas vidas
Farei para mim a melhor opção

Pro final que te aguarda
Tem meus abraços
Com aquela lembrança amarga
Meio jogado em um canto
Cantando todo o silêncio

E após o final
O coração vai parar de bater
Entrar numa outra frequência
Errar mais além de poder
E dar fim a mais uma sequência.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Confusão


Se isso fosse uma poesia
Com algumas palavras
Eu te convenceria
De sermos atadas

A possibilidade de ser um poema
Não passou pela cabeça
É ainda um teorema
Que peço que esqueça

Nem de longe seja uma prosa
Pois pareceria piada
Dizer a própria rosa
Sua cor amada

Talvez seja amor
Mas é estranho que seja
Pois sinto dor
A cada gole dessa cerveja

Será que eu conheço
Todos esses sentimentos?
E por tudo sei que pareço
Confuso de todos os jeitos.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Uma palavra, uma frase, uma poesia


Eu poderia gritar a pulmões abertos
Uma palavra, uma frase, uma poesia
Mas tudo que me passa pela cabeça
E que faz as cordas vocais queimarem
É seu nome me afogando em letras
Sem drama o que meu punho aperta
Quando não suas mãos, é a vontade
De voar pra longe, ver o céu daí
Desse mesmo lugar que você pode ver
Ou que no céu o seu olhar se encontre
Com a linha tracejada por mim até a lua
Uma soma de coisas erradas tão certas
Que em mim tudo se marcou como peças
De quebra-cabeças vindo dos céus
Chuvas de pequenas coisas a se encaixar
Assim meu coração vai se enchendo
E se esvaziando com tantas coisas novas
A vir ocupar espaços que eu desconhecia
Vida iluminada pelo Sol que não parece
Que recebeu luz por sua cor tão branca
Se tivesse a chance de dizer adeus
Eu não usaria essa chance se pudesse
Seria estranho se eu não dissesse
Que uma parte grande de mim te deve
Mais do que tudo o que você imaginar
Até do que uma palavra, uma frase ou uma poesia.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Onde tudo passa as avessas


Um desfio quem sabe
Uma memória?
O que me importa agora?
Se tudo o que eu quero
Eu não tenho
Mas não cansar é uma sina
Talvez um dia doa mais
Mas enquanto vai doendo
Eu sei que estou sobrevivendo
Enquanto vai doendo
Eu sei que estou vivendo
Não canso de repetir
Soco em ponta de faca
Dedos calejados das mesmas notas
E nem uma vez eu disse
Que a hora foi perdida
Todos os minutos até contados
Todos os segundos passam devagar
Rápido é só o coração
Que não vê a hora de chegar
Não há capítulos pra isso
Onde não lemos a hora passar
Se não existisse tanto espaço
Entre todas essas palavras
Será que o espaço entre nós
Também diminuiria?
Mais ordem pra minha cabeça
Passa mais uma vez
Onde tudo passa as avessas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Se


Se a escuridão vier
E você não ver
Segure o que tiver

Se o vazio rondar
E você não notar
Preencha-se devagar

Se a ti eu quiser
E eu não puder
Prendo-me ao que me der

Se a mim você amar
E você não me mostrar
Não deixe-me falhar

Se um dia errar
Não deixe de de novo tentar
E a cabeça abaixar

Se você me ver
Não deixe de dizer
O que posso fazer

E se todos os "se"
Não forem a você
Ao futuro vai pertencer.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Meu sono


Querido sono
Me pegue
Me leve
Me mate
Depois um dia
Me deixe
Me abandone
Me odeie
E no processo
Me sacode
Me incomode
Me foge
E ao meu respeito
Me ignore
Me amole
Me ame
Mas jamais tarde.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pedaços de respiração


Cada músculo de sua bochecha dói
Mas não por ser de verdade
Sim por ter que fazer isso
Você se rasga por dentro
Morre a cada brilho gasto
E sonhos são o que dão vida
Mas a realidade não te liberta
Esses momentos que cercam
Talvez devessem acertar a mão
Pois ali esteve tudo
Juntamente com um grande pedaço de nada
Que despedaça cada respiração
Um segundo é tanto tempo
Pra um tempo que não existe
Quando se quer dizer algo
Sempre que esta mentira lhe convém
Uma vez que estão juntas
O passado fica marcado nas veias
Ferro em brasas no coração
Mais uma das mil marcas
Nenhuma maior que aquela
Com aquele ar de adeus
Soma mais uma despedida a alma
Nem o vento irá trazer
Todo o ar frio que precisa.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Aquelas vezes

Cuspo agora todos os dentes
Que me fizeram engolir
Mas ainda sim sua boca sangra
Distante da dor de fugir
Próximo demais de agonia de estar
Algumas vozes ecoam em mim
Não são pessoas, nem demônios
Os anjos eu ignoro desde sempre
Pois é aí que me vejo
Suspiros sussurram lentamente
Me cubro de novo pra esquecer o frio
E lembro de olhar lá dentro
E ver que ainda estou gelado
As arcadas ecoam entre si, rangem
Não lembro de ter nascido ou vivido
Uma simples falha, ou um erro feito
Mal chega a vida e mal vai embora
Bem me quer o mal me quer
Não há falhas se já é falho
E a temperatura estabiliza
Quando sinto que ainda vivo.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O sorriso mais sujo do mundo


Um outro dia se passa
Visto mais uma pele
Escovo o sorriso
Mais sujo do mundo
E lembro de voltar
A esfregar esses olhos imundos
Embaçados com água
Sinto ela salgada caindo nos lábios
Ignoro ela de novo como sempre
E assim começa um dia
Que não tem fim
O trabalho, a bebida, os amigos
São sempre bem-vindos
Mas bem-vinda seja a mágoa
Que vem a minha porta do quarto
Me deixa ter tempo
De olhar pra ela, deitar com ela
E finalmente acordar
Com o gosto salgado dela.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Passe

Te enviei não querendo que fosse
Mas queria que chegasse
Que quem te enviasse
Os sentimentos pudesse
Em cada fio passasse
E que tu sentisse
Todos os medos que tivesse
Se você não medisse
Tudo o que dissesse
Talvez um medo ou outro viesse
Mas uma vez que me emudece
Um coração abrisse
Uma boca fechasse
E o mundo inteiro então acabasse
E minha visão visse
O que ninguém imaginasse
Um rosto que não só passasse
Mas que a minha frente ficasse
E o mundo inteiro de novo se apagasse.

Caixinha de sentimentos

Pedi pra te mandarem
Beijos e abraços
Embalei tudo numa caixinha
Chamada de amor
E usei muita saudades
Pra poder embalar
O selo que eu colei
Com um punhadinho de carinho
Não foi pra chorar
Mas uma lágrima pequena
Foi com aquela caixinha
Porque as outras
Ficaram aqui comigo
Pra lembrar de você
Quando eu quiser abrigo.