terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Navegante a deriva

Eu estive tanto tempo a deriva
Não consigo ver o fim
Durante quase toda minha vida
O tempo passou assim

Tive que agradecer por acordar
Olhar pra todo canto esperando
Algo de qualquer lugar chegar
O cruzeiro do sul me acenando

Não foi sempre assim
Fui um homem amante do mar
Mas aqui hoje é tão frio
Quanto outro grande círculo polar

É de se surpreender que antes
Era apenas como qualquer outro dia
Se passaram mais de anos pra mim
Homem ao mar é o que sou

Deixado a libéluas e garças
Aqui onde já não alcançam as traças
Eu vejo o mundo todo azul
Onde tudo nele é cinza

Desde que tudo aconteceu
Esse seguindo a maré sou eu
Calos dos remos em mãos
Mais um dia se passa em vão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

De peito aberto

Seria mais simples se eu
Mais um, só um mortal comum
Tivesse as respostas pro meu breu
Pra apagar os pensamentos melhor
Do que esse copo de gelo e rum

Seria mais fácil se simplificasse
Mas a dificuldade é enraizada em nós
Sobre tudo se cada segundo não matasse
Mas é a mentira que se aplica
Quando estamos a sós

Preferia mil vezes morrer
A passar por isso de me procurar
Me achar entre papéis em que já escrever
Já não tem mais efeito em mim
Só me restando buscar

Uma razão pra ficar
Um motivo pra não esvaecer
E se aqui for meu lugar...
Por favor, não me deixe ser
Alguém pra sempre esperar
Cansado de deixar acontecer

Queria eu que a alma pudesse beber
Se embriagar de você por perto
Mas continue a sorrir sem ao menos perceber
Que estarei por seu valor
Pra sempre de peito aberto...